MAR ASSET · AGO 2026 PDF

Capa da carta publicada pela gestora
Resumo

A gestora descreve 2026 como um ano difícil, no qual a guerra entre Estados Unidos e Irã desviou o mercado e o portfólio de suas trajetórias esperadas. Ela entende que o choque do petróleo reintroduziu o risco de inflação global, mas avalia que a pressão inflacionária nos Estados Unidos é temporária e concentrada nos itens ligados ao petróleo. No Brasil, interpreta a força do PIB do primeiro trimestre como pontual e vê sinais mais recentes de desaceleração, especialmente no mercado de trabalho. Também identifica esgotamento do crédito às famílias, com fluxo financeiro negativo, aumento da inadimplência e risco de uma desaceleração mais forte da atividade.

Ao fim do ano passado, a gestora mudou sua visão sobre juros brasileiros e passou a considerar uma posição aplicada, após não carregar essa exposição desde a eleição do presidente Lula. Ao fim de fevereiro, o fundo estava próximo de sua exposição máxima de risco, com 30% de stress, concentrando suas duas grandes assimetrias na tese de inteligência artificial em ações americanas e na convergência dos juros no Brasil. A guerra provocou perdas e foi seguida por redução das posições, embora a gestora afirme que não houve style drift e que os limites de risco foram respeitados. Agora, decidiu voltar ao CDI na maior parte do portfólio, simplificar as exposições remanescentes e esperar que o mercado passe a caminhar na direção de suas teses antes de voltar a aumentá-las.

A gestora continua acreditando na convergência de atividade e inflação depois que o choque do petróleo for superado. No Brasil, espera a continuidade da calibragem da Selic e considera possível uma aceleração dos cortes se a desaceleração mais forte se confirmar e os choques de preços da guerra saírem de cena; um ajuste fiscal após a eleição permitiria um ciclo ainda mais profundo. Nos Estados Unidos, avalia que os agentes de IA serão o principal catalisador da adoção corporativa e da demanda por computação, com energia e time to power como gargalos centrais. Sua estratégia nessa cadeia se concentra em empresas de infraestrutura, especialmente Powered Shell Providers, cuja transformação e cujo pipeline ainda não estariam plenamente refletidos nas avaliações de mercado.

A carta reconhece que a duração da guerra e seus efeitos sobre derivados de petróleo e cadeias de suprimento podem invalidar a leitura de inflação temporária. No Brasil, a gestora ressalta que não sabe quando a reversão do crédito pesará sobre a atividade e alerta para um processo potencialmente não linear, no qual menor concessão, queda de consumo e aumento da inadimplência se retroalimentem. O cenário de juros também depende da eleição e da reação fiscal do próximo governo; novos estímulos diante da desaceleração poderiam pressionar os juros e desorganizar a economia. Por fim, a gestora admite que reagiu lentamente ao drawdown, não conseguiu suavizar satisfatoriamente a volatilidade para os cotistas e precisa aprimorar a execução da alocação de risco.

Visao macro
  • A gestora segue esperando convergência de atividade e inflação depois que o choque do petróleo for superado, tanto no exterior quanto no Brasil.

    p.6 p.7
  • Inflação nos EUA

    A pressão inflacionária nos Estados Unidos é vista como temporária e restrita aos itens ligados ao petróleo, em um ambiente de pouca pressão de demanda e inflação subjacente menos preocupante do que sugere o Core PCE.

    p.5 p.6
  • Atividade no Brasil

    A força do PIB brasileiro no primeiro trimestre é interpretada como uma reversão pontual, enquanto os dados mais recentes indicam desaceleração mais marcada no segundo trimestre e retorno a um crescimento mais moderado.

    p.7
  • Crédito às famílias

    O ciclo de expansão do crédito às famílias começou a mostrar sinais de esgotamento, com fluxo financeiro negativo, serviço da dívida elevado, aumento da inadimplência e desaceleração das concessões.

    p.8 p.9 p.10
  • Pacote de crédito

    Embora os programas públicos anunciados tenham orçamento próximo de R$ 200 bilhões, cerca de 85% correspondem a crédito e seu efeito expansionista foi mais do que compensado pelo aumento do serviço da dívida e pela redução de outras concessões.

    p.11 p.12
  • Calibragem da Selic

    Se a desaceleração mais forte da atividade se confirmar, o BCB deve manter a calibragem da Selic e pode acelerar os cortes quando os choques de preços ligados à guerra saírem de cena.

    p.11 p.13
  • Ciclo eleitoral

    A eleição presidencial é vista como o principal catalisador dos ativos brasileiros: um ajuste fiscal permitiria cortes de juros mais profundos, enquanto novos estímulos fiscais diante da desaceleração pressionariam os juros e poderiam levar a uma parada brusca da economia.

    p.14 p.15 p.16
  • Eleição de 2026

    A gestora não considera Lula favorito para vencer, com base na avaliação do governo, na conversão histórica dessa avaliação em votos e no perfil dos eleitores ainda indecisos.

    p.16 p.17 p.19 p.20
Teses de investimento
  • As teses perseguidas desde o ano passado continuam compondo o portfólio e, apesar de terem sido afetadas pela guerra, ainda são vistas como fontes de boas oportunidades.

    p.24 p.25
  • CDI estrutural

    A combinação de expansão fiscal com a manutenção do regime de metas é apresentada como a razão para considerar o CDI o melhor ativo livre de risco do mundo, ainda que a trajetória da dívida se torne menos sustentável.

    p.15
  • Convergência de juros

    A tese de juros brasileiros combina uma fase de calibragem da política monetária com uma possível fase posterior de convergência à taxa neutra, que seria favorecida por desaceleração da atividade e ajuste fiscal após a eleição.

    p.3 p.4 p.14 p.16
  • Agentes de IA

    A evolução dos agentes de IA é vista como o principal catalisador da adoção corporativa e da aceleração exponencial da demanda por computação, pois os modelos passaram a executar tarefas completas e operar continuamente.

    p.21 p.22
  • Gargalos de infraestrutura

    A estratégia na cadeia de IA busca empresas posicionadas nos gargalos de memória, chips, fibra óptica, equipamentos de rede e, especialmente, energia, capturando o investimento dos hyperscalers por negócios com geração de caixa previsível.

    p.22
  • Time to power

    A disponibilidade rápida de energia tornou-se uma variável central da economia da IA, porque servidores e GPUs somente se convertem em capacidade computacional quando há conexão elétrica, terreno, licenciamento e infraestrutura.

    p.22
  • Powered Shell Providers

    Os Powered Shell Providers são apresentados como uma nova classe de ativos que entrega infraestrutura física e energética pronta para clusters de GPUs, com contratos de 10 a 20 anos, menor exposição à obsolescência dos chips e retornos médios próximos de 20% ao ano em dólares sobre o capital investido.

    p.23 p.24
  • Avaliação dos PSPs

    A transformação de antigas mineradoras de bitcoin em Powered Shell Providers ainda não estaria plenamente refletida nos preços; se essas empresas negociarem a yields próximos aos de REITs maduros, a compressão das taxas e a incorporação do pipeline deveriam mais do que dobrar seu valor.

    p.24
Riscos
  • A gestora reconhece que o ciclo causou dor relevante ao portfólio, que sua reação ao drawdown foi lenta e que não conseguiu suavizar satisfatoriamente a volatilidade para os investidores.

    p.3 p.25
  • Duração da guerra

    A duração da guerra e sua pressão sobre derivados de petróleo e cadeias de suprimento podem alterar o diagnóstico de que a inflação provocada pelo choque de oferta será temporária.

    p.6
  • Ajuste do crédito

    A gestora não sabe exatamente quando a reversão da expansão de crédito pesará sobre a atividade e alerta para o risco de um ajuste não linear no mercado de crédito às famílias.

    p.9 p.10
  • Ciclo de inadimplência

    Uma desaceleração das concessões pode reduzir o crédito que suaviza o serviço da dívida das famílias, enfraquecendo consumo e renda e elevando a inadimplência em um ciclo de retroalimentação.

    p.10
  • Reação fiscal

    Um governo que tente combater a desaceleração com novos estímulos fiscais pode pressionar ainda mais os juros, levando eventualmente a uma parada brusca e à desorganização da economia.

    p.15
  • Risco do CDI

    A política econômica de juros altos levanta, em tese, o risco de o governo buscar mais inflação e menores juros reais para reduzir o custo da dívida, embora a gestora considere essa hipótese improvável por exigir inflação de dois dígitos e constrangimento ao BCB.

    p.15
  • Leitura eleitoral

    A leitura de que Lula não é favorito seria revista se a avaliação líquida do governo chegasse a aproximadamente 10 pontos positivos e a conversão estimada superasse 50; a gestora não descarta que a campanha produza essa mudança.

    p.19
  • Execução de risco

    A gestora reconhece a dificuldade de distinguir persistência de teimosia e afirma que precisa evoluir a execução da alocação de risco para reduzir a dor em ciclos futuros.

    p.25
Mudancas de portfolio
  • A abordagem atual é manter a maior parte do portfólio em CDI, simplificar as exposições nas teses remanescentes e aguardar uma mudança na direção do mercado antes de voltar a aumentar as posições.

    p.25
  • Estrutura do portfólio

    Em 2025, o fundo manteve muito caixa, exposição estrutural a ações americanas sem risco de moeda e uso limitado do caixa na compra de opções de EWZ.

    p.2
  • Juros brasileiros

    Ao final do ano passado, a gestora mudou sua visão sobre juros prefixados brasileiros e, ao fim de fevereiro, estava próxima da exposição máxima de risco de 30% de stress, apoiada nas teses de IA e convergência de juros.

    p.3
  • Redução de posições

    Depois das perdas causadas pela guerra, a gestora reduziu as posições e afirma que as perdas ocorreram nos ativos que costuma operar, dentro dos tamanhos permitidos por suas regras, sem style drift.

    p.3

Resumo gerado por modelo, sem fonte propria. Cada afirmacao acima aponta para a pagina, o minuto ou o trecho de origem na publicacao oficial da gestora.