A gestora descreve a eleição brasileira de 2026 como um duelo entre Lula e Flávio Bolsonaro, mas afirma que o vencedor herdará a obrigação de promover um grande ajuste fiscal. Suas simulações indicam resultado primário ao redor de 2% do PIB para estabilizar a dívida, enquanto o cenário mais provável pressupõe ajuste anunciado no início do mandato da ordem de 1,5% do PIB. Nos Estados Unidos, atividade robusta e pressões inflacionárias levaram à alta de juros, com possibilidade de novas elevações a depender dos dados. Para a Europa, a gestora diverge do mercado ao esperar perda de tração da atividade nos próximos trimestres, enquanto, no Brasil, projeta desaceleração, PIB de 1,0%, inflação de 4,7% e Selic de 12,5% ao fim de 2027.
No Brasil, a gestora construiu posição comprada em bolsa, principalmente via EWZ, diante da maior possibilidade de vitória de uma proposta mais fiscalista, mas ressalta que a posição é tática. Nas moedas, manteve posições compradas, porém reduziu taticamente won sul-coreano e iene japonês, além de seguir com viés comprador de dólar contra moedas europeias. Manteve posições aplicadas em juros europeus, mexicanos e neozelandeses. Na parcela internacional, concentrou tecnologia em opções de Nasdaq e compra de índices na Coreia e em Taiwan, reduziu o setor financeiro, manteve Biotecnologia e permaneceu comprada em uma cesta de agrícolas, petróleo, ouro e cobre.
A tese brasileira depende de um ajuste fiscal anunciado no início do mandato, capaz de reancorar expectativas e permitir queda dos juros reais. Nos Estados Unidos, a gestora aposta na resiliência e no dinamismo relativos da economia para sustentar a compra de dólar contra europeus. Na Europa, no México e na Nova Zelândia, espera que menor tração ou ociosidade econômica sancione juros abaixo do que o mercado precifica. Em inteligência artificial, entende que a sustentação da capacidade contratada depende da aceleração da receita dos laboratórios, e não apenas do lançamento de modelos. A cesta de commodities funciona como hedge, com o petróleo protegendo parcialmente as posições aplicadas em juros e compradas em ações.
A principal ressalva no Brasil é que a ausência de ajuste fiscal, ou uma guinada mais populista, poderia provocar choque adverso de expectativas e interromper o ciclo de corte da Selic. A gestora também destaca que nenhuma das campanhas havia apresentado uma proposta fiscal com o grau de detalhe necessário. Em inteligência artificial, considera esticada a expansão de receita necessária até o fim de 2027 e afirma que só haverá clareza com números auditados. Nas commodities, as guerras no Irã e na Ucrânia, o aperto do diesel e os riscos aos grãos permanecem relevantes, embora a melhora do fluxo pelo estreito de Ormuz tenha reduzido sua preocupação com um cenário de cauda para o petróleo. Diante dessas incertezas, enfatiza prudência, gestão da exposição e controle de risco.
Algumas afirmacoes desta carta ficaram fora do site por nao se sustentarem no documento. Este resumo foi escrito antes dessa conferencia; vale o que esta abaixo.
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A combinação de preços de energia mais elevados e atividade resiliente manteve pressão sobre as curvas de juros longas de todos os países.
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Eleição de 2026
A gestora caracteriza a eleição brasileira de 2026 como um duelo entre Lula, presidente incumbente, e Flávio Bolsonaro, o desafiante.
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Ajuste fiscal
Quem vencer a eleição receberá a obrigação de promover um dos maiores ajustes fiscais desde a redemocratização, em um contexto no qual o orçamento projeta superávit primário apenas simbólico para 2027.
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Atividade brasileira
Para o ano seguinte à eleição, a gestora espera desaceleração da atividade brasileira e considera mais provável um impulso fiscal negativo, independentemente de haver alternância de poder.
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Política monetária americana
Atividade robusta, inflação acima do esperado e alta do petróleo levaram à primeira elevação de juros da gestão de Kevin Warsh, e novas altas podem ocorrer nos próximos meses, a depender dos dados.
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Atividade europeia
A gestora espera que a economia europeia perca tração nos próximos trimestres, apesar do suporte da manufatura global, dos investimentos alemães em infraestrutura e defesa e da resiliência do consumidor.
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Mercado de ações
O mercado acionário americano reagiu bem à alta do Fed, sustentado por áreas menos sensíveis aos juros, especialmente tecnologia e as grandes empresas, enquanto consumo, utilities e habitação tiveram desempenho ruim.
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Preços de commodities
As guerras no Irã e na Ucrânia seguem influenciando as commodities, com destaque para o aperto no diesel e para os efeitos do conflito ucraniano sobre milho e trigo.
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A estratégia busca administrar a exposição, em vez de depender da previsão, combinando posições direcionais com instrumentos de hedge.
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Ajuste fiscal brasileiro
O cenário brasileiro de maior probabilidade pressupõe um ajuste fiscal anunciado no início do mandato, da ordem de 1,5% do PIB, capaz de produzir queda dos juros reais.
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Dólar contra europeus
A gestora mantém viés comprador de dólar contra moedas europeias, com base na resiliência e no dinamismo relativos da economia americana.
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Receita dos laboratórios
Na inteligência artificial, a gestora considera necessário que a receita anualizada dos laboratórios acelere de cerca de US$ 150 bilhões para próximo de US$ 450 bilhões ao fim de 2027 para sustentar a capacidade contratada.
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Segurança dos modelos
A gestora considera que propostas de desaceleração dos lançamentos de modelos não devem produzir efeitos relevantes, diante da competição de modelos abertos, dos IPOs e da contestação antitruste.
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Cauda do petróleo
A elevação gradual do fluxo de petróleo pelo estreito de Ormuz e a redução dos prêmios físicos deixaram a gestora mais construtiva quanto à possibilidade de evitar um cenário de cauda para o preço do petróleo.
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A gestora considera prudência e controle de risco essenciais para atravessar períodos turbulentos e preservar a capacidade de buscar retornos adiante.
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Risco fiscal brasileiro
A ausência de anúncio fiscal ou uma guinada mais populista poderia causar choque adverso de expectativas, dificultar o trabalho do Banco Central e, com alta probabilidade, interromper o ciclo de corte da Selic.
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Detalhamento fiscal
Nenhuma das duas campanhas havia apresentado proposta fiscal com o grau de detalhe que a gestora considera necessário, incluindo números sobre como fechar a conta.
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Execução do ajuste
O ajuste terá de ser negociado com um Congresso fragmentado que controla parcela relevante do orçamento discricionário, deixando o Executivo responsável pelo resultado sem controle integral da despesa.
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Receita em inteligência
Os alvos de receita dos laboratórios de inteligência artificial são considerados esticados, e a gestora afirma que só terá clareza sobre o ritmo real de crescimento quando houver números auditados.
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Conflitos e diesel
A gestora não tem visão clara sobre a resolução dos conflitos no Irã e na Ucrânia, enquanto o aperto no diesel preocupa por atingir o transporte de mercadorias e toda a atividade econômica.
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Riscos agrícolas
Milho e trigo enfrentam riscos ligados à guerra na Ucrânia e à menor probabilidade de um novo corredor de exportação, enquanto a intensificação do El Niño ameaça a janela de plantio; no açúcar, a incerteza vem da Índia.
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A carteira combina exposição tática ao Brasil, posições aplicadas em juros, cautela em inteligência artificial e uma cesta de commodities usada como hedge.
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Bolsa brasileira
A gestora construiu posição comprada em bolsa brasileira, principalmente via EWZ, diante da maior possibilidade de vitória de uma proposta mais fiscalista; a posição é tática e pode mudar com o quadro eleitoral.
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Posições em moedas
A gestora continuou comprada em moedas, mas reduziu taticamente as posições em won sul-coreano e iene japonês após a valorização acumulada e diante de um Fed mais hawkish.
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Juros aplicados
Foram mantidas posições aplicadas em juros europeus, mexicanos e neozelandeses.
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Tecnologia internacional
Na parcela internacional, as posições de tecnologia foram concentradas em opções de Nasdaq e em compra de índices na Coreia e em Taiwan.
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Exposições setoriais
A gestora reduziu a exposição ao setor financeiro e manteve posição comprada em Biotecnologia.
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Cesta de commodities
Foi mantida posição comprada em uma cesta de agrícolas, petróleo, ouro e cobre, com o petróleo também utilizado como hedge parcial para posições aplicadas em juros e compradas em ações.
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