A Dynamo descreve os mercados como um ecossistema competitivo, no qual avanços digitais ampliaram a presença de estratégias sistemáticas, negociações automatizadas e investidores organizados por mídias sociais. Nos Estados Unidos, algoritmos já responderiam por cerca de 70% das negociações em ações, enquanto a penetração estimada na América Latina seria de aproximadamente 30%. A gestora afirma já perceber no mercado brasileiro sinais iniciais de padrões observados no exterior. Também destaca o crescimento da participação de pessoas físicas na B3 e a influência crescente das plataformas digitais sobre comportamentos de negociação.
A carta não relata entrada, saída ou redimensionamento de posições do portfólio. A mudança operacional explicitada é a incorporação, ao trabalho cotidiano da Dynamo, de tratamentos quantitativos, algoritmos para rastrear informações na internet e programas para organizar dados não estruturados. A gestora ressalta que isso não representa uma guinada estratégica, mas um aprimoramento de seu ferramental analítico fundamentalista.
A filosofia da Dynamo permanece baseada na análise fundamentalista, na identificação de distorções entre preço e valor intrínseco e na expectativa de convergência ao longo do tempo. A gestora entende que os mercados agregam informações na maior parte do tempo, mas que períodos de incerteza estimulam imitação e reações emocionais, criando variações extremas e oportunidades para investidores pacientes. Em sua avaliação, a popularização de HFTs e estratégias baseadas em fatores pode afastar preços dos fundamentos e tornar essa convergência mais demorada. Por isso, espera-se maior necessidade de disciplina, paciência e rigor analítico por parte dos value investors.
A principal ressalva é que estratégias sistemáticas e comportamentos coordenados por mídias sociais podem produzir movimentos de preços sem conexão aparente com os fundamentos das companhias. A gestora associa os HFTs a riscos de maior volatilidade, fragmentação, assimetria, manipulação, contágio e atuação pró-cíclica em períodos de estresse. Nas estratégias de fatores, aponta vulnerabilidade a mudanças de regime, sobreposição de carteiras, dependência de momentum e custos de rebalanceamento. No varejo, destaca alavancagem, vieses comportamentais e perdas observadas em minicontratos. A carta também registra a possibilidade de a concentração de negociações no fim do pregão, em parte associada a fundos passivos, prejudicar a formação de preços e a liquidez.
Algumas afirmacoes desta carta ficaram fora do site por nao se sustentarem no documento. Este resumo foi escrito antes dessa conferencia; vale o que esta abaixo.
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A Dynamo trata os mercados de capitais e financeiros como um ecossistema competitivo, no qual diferentes participantes cooperam e disputam espaço, enquanto preços em mercados transparentes e líquidos orientam a alocação de poupança.
p.1 -
Progresso tecnológico digital
O crescimento das informações digitais, da capacidade computacional, de big data, machine learning e inteligência artificial favoreceu a proliferação de estratégias sistemáticas e quantitativas, ao mesmo tempo que as mídias sociais ampliaram a participação de pessoas físicas.
p.1 -
Negociações por algoritmos
Segundo a carta, algoritmos respondem por cerca de 70% das negociações de ações nos Estados Unidos, enquanto a penetração estimada é de aproximadamente 50% na Europa, 40% na Ásia e 30% na América Latina; a Dynamo já percebe no Brasil sinais iniciais de padrões observados no exterior.
p.1 -
Investidores pessoas físicas
A participação de pessoas físicas na B3 cresceu cerca de 40% ao ano nos últimos seis anos e atingiu 5,2 milhões de CPFs na última estatística disponível, com presença relevante em diferentes segmentos do mercado.
p.9
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A filosofia de investimento da Dynamo parte da convicção de que é possível compreender as alavancas de valor intrínseco das companhias, identificar distorções nos preços e esperar que o mercado reconheça essas assimetrias ao longo do tempo.
p.4 -
Extremos do mercado
A gestora entende que os mercados agregam informações na maior parte do tempo, mas que momentos de incerteza comprometem a diversidade e a independência das opiniões, gerando movimentos extremos que podem oferecer oportunidades de entrada e saída para investidores pacientes.
p.4 -
Convergência preço-valor
A crescente popularidade das estratégias baseadas em fatores pode, na visão da gestora, afastar preços dos fundamentos e exigir mais paciência para a convergência entre preço e valor intrínseco, especialmente quando estratégias de momentum e trend following prolongam movimentos anteriores.
p.8 -
Alfa futuro
A Dynamo não considera que a decomposição retrospectiva de resultados em fatores ofereça pistas suficientemente robustas para produzir alfa no futuro.
p.8
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A atuação de HFTs, estratégias baseadas em fatores e investidores organizados em plataformas sociais pode deslocar preços para regiões afastadas dos fundamentos, testando convicções e exigindo maior disciplina, paciência e rigor analítico dos value investors.
p.9 -
Riscos dos HFTs
A carta associa os HFTs a riscos de fragmentação do mercado, aumento da volatilidade, assimetria de poder, manipulação, efeitos em cascata, contágio, front running e amplificação pró-cíclica de movimentos em períodos de estresse.
p.3 -
Vendas forçadas
A homogeneidade e a sobreposição das carteiras quantitativas, combinadas à dependência do momentum, podem fazer vendas forçadas produzirem quedas mais intensas e duradouras, alimentando espirais negativas de retornos.
p.3 -
Estratégias de fatores
Estratégias baseadas em fatores enfrentam dificuldades em mudanças de regime e momentos de transição, podem sofrer perdas acentuadas em oscilações agudas e exigem rebalanceamentos que geram custos de transação e tributários.
p.6 p.7 -
Investidor de varejo
A expansão do varejo em ambientes digitais traz riscos ligados a apostas, alavancagem e vieses comportamentais; no período analisado pela CVM, 78% dos investidores perderam dinheiro em minicontratos de índice e 81% perderam em contratos de dólar.
p.9
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A Dynamo está incorporando ao trabalho cotidiano tratamentos quantitativos, algoritmos para rastrear informações disponíveis na internet e programas que organizam bases de dados não estruturados, mas afirma que isso não representa uma guinada estratégica e sim o aprimoramento contínuo de seu ferramental analítico.
p.6