No início de 2026, a gestora via uma combinação rara de desinflação nos Estados Unidos e no Brasil sem desaceleração abrupta da atividade. Nos Estados Unidos, destacava um mercado de trabalho resiliente, embora com sinais de fragilidade, e possíveis efeitos desinflacionários da inteligência artificial. No Brasil, observava Selic e juros reais muito altos, desaceleração da atividade, inflação no intervalo da meta, fluxo estrangeiro e a perspectiva de um novo ciclo político. A guerra alterou esse cenário ao tornar o petróleo o principal canal de transmissão do choque e levar o mercado a precificar risco de nova inflação global e altas de juros nos países desenvolvidos.
A gestora entrou em março operando próxima do limite de risco direcional, com posições relevantes aplicadas em juros na ponta curta dos Estados Unidos e na ponta longa do Brasil. Em 2025, havia usado uma estrutura mais equilibrada, combinando exposição comprada em EWZ com posições tomadas em juros longos, mas entrou em 2026 carregando a exposição a juros de forma mais aberta. Após as notícias de ataques a Teerã, decidiu inicialmente manter o portfólio inalterado. Ao longo do mês, reduziu o risco e ativou o gatilho de redução após drawdown de 15%, embora reconheça que o ajuste foi gradual demais. Posteriormente, comprou opções de venda de EWZ e passou a operar com exposição reduzida.
A tese inicial era que os juros, e não mais a bolsa e o real, ofereciam o principal vetor de retorno, especialmente diante da expectativa de um ciclo profundo de cortes no Brasil. Olhando adiante, a gestora continua acreditando que o conflito tende a encontrar uma saída negociada. Caso isso ocorra, espera o restabelecimento do cenário de desinflação e de espaço para cortes de juros, possivelmente a partir de níveis de preços melhores que os anteriores ao conflito. A intenção é aguardar maior clareza e voltar a aumentar o risco gradualmente quando as assimetrias reaparecerem.
A gestora reconhece que a concentração em juros elevou significativamente a sensibilidade do portfólio a uma reversão da desinflação, risco que se materializou com a guerra. Também admite erro na condução tática, sobretudo por manter inicialmente o portfólio e ajustar o risco lentamente diante da velocidade do choque. A incerteza quanto à duração do conflito e à possibilidade de disrupção no Estreito de Ormuz levou o mercado a precificar cenários mais extremos. A convicção em uma guerra breve e a expectativa de catalisadores positivos resultaram, segundo a própria gestora, em ajustes insuficientes.
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No início de 2026, a gestora observava uma combinação de desinflação nos Estados Unidos e no Brasil sem necessidade de desaceleração abrupta da atividade, que considerava favorável aos ativos de risco.
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Estados Unidos
Nos Estados Unidos, o processo desinflacionário ocorria com mercado de trabalho resiliente, embora com sinais de fragilidade, enquanto começavam a emergir efeitos da inteligência artificial sobre produtividade e preços.
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Cenário brasileiro
No Brasil, a gestora destacava Selic historicamente elevada, juros reais muito altos, desaceleração da atividade, inflação no intervalo da meta, forte fluxo estrangeiro e a perspectiva de um novo ciclo político.
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Choque do petróleo
Com a guerra e o risco de disrupção no Estreito de Ormuz, o petróleo tornou-se o canal de transmissão dominante, aumentou o temor de nova inflação global e levou o mercado a passar da precificação de cortes para altas de juros nos países desenvolvidos.
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A tese que orientou o portfólio era que os juros, e não mais a bolsa e o real, ofereciam o principal vetor de retorno, com expectativa de um ciclo profundo de cortes no Brasil.
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Saída negociada
A gestora segue acreditando que o conflito tende a encontrar uma saída negociada e que, se essa leitura se confirmar, o cenário de desinflação e espaço para cortes de juros deverá se restabelecer.
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Aumento de risco
A gestora pretende aguardar maior clareza e, à medida que as assimetrias voltem a se apresentar, aumentar novamente o risco de forma gradual.
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Inteligência artificial
A gestora mantém a crença de que o impacto estrutural da inteligência artificial tende a ser desinflacionário por meio de ganhos relevantes de eficiência.
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A gestora reconhece que cometeu erros que potencializaram as perdas, especialmente na velocidade do ajuste de risco durante o conflito.
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Reversão desinflacionária
A exposição mais aberta a juros aumentou significativamente a sensibilidade do portfólio a uma reversão do processo desinflacionário, risco que a gestora afirma ter se materializado.
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Duração do conflito
A incerteza sobre a duração do conflito e o risco de disrupção no Estreito de Ormuz levaram o mercado a precificar cenários mais extremos.
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Ajustes insuficientes
A convicção de que o conflito seria breve, combinada à expectativa de catalisadores positivos, levou a gestora a realizar ajustes insuficientes diante da velocidade do choque.
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A gestora entrou em março próxima do limite de risco direcional do portfólio, reduziu risco ao longo do mês e passou a operar com exposição reduzida.
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Posições em juros
Na entrada de 2026, o portfólio carregava posições relevantes aplicadas em juros na ponta curta dos Estados Unidos e na ponta longa do Brasil, de forma mais aberta do que a estrutura equilibrada utilizada em 2025.
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Volatilidade inicial
Após as primeiras notícias do conflito, a gestora decidiu atravessar a volatilidade inicial mantendo o portfólio inalterado.
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Redução de risco
O risco foi reduzido ao longo do mês, incluindo a ativação do gatilho de redução após drawdown de 15%, mas a gestora avalia que o ajuste ocorreu de forma gradual demais.
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Proteção com EWZ
A gestora incorporou proteções adicionais por meio da compra de opções de venda de EWZ para mitigar um cenário de prolongamento do conflito e aumento agudo da aversão a risco.
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