A gestora descreve um regime global em que o custo de capital voltou a importar, com juros longos mais altos alterando a precificação de ações, moedas, crédito, imóveis e dívida. No Brasil, juros altos, inflação resiliente, inadimplência elevada e menor visibilidade eleitoral compõem um cenário difícil, agravado pela alta do petróleo e pela abertura das curvas globais. Nos Estados Unidos, atividade resiliente, pressão inflacionária e déficit elevado reduziram o espaço para alívio monetário e elevaram os rendimentos dos títulos longos. A inteligência artificial ainda sustenta parte do mercado acionário, enquanto os segmentos mais sensíveis ao custo de financiamento são pressionados.
No portfólio internacional de renda fixa, a gestora considera boas as posições relativas aplicadas em Suécia e Nova Zelândia, assim como posições tomadas no Chile e nos Estados Unidos. No Reino Unido, mantém posições vendidas na libra esterlina. Em ações globais, reduziu a exposição agregada a semicondutores após a forte valorização do setor, preservando a preferência por empresas diretamente ligadas aos gargalos da inteligência artificial. No Brasil, a exposição permanece bastante reduzida, com opções de compra em EWZ e preferência por setores com carrego e geração de caixa; em commodities, a gestora segue comprada em milho.
A gestora considera a inteligência artificial uma das maiores transformações econômicas das próximas décadas, mas entende que nem todas as empresas associadas à narrativa serão vencedoras estruturais. Sua preferência recai sobre Nvidia, TSMC e Broadcom, além de plataformas de cloud como Google e Amazon. No Brasil, vê atratividade em utilities e em empresas ligadas ao Minha Casa Minha Vida, desde que ofereçam carrego, crescimento visível, proteção ou catalisadores fortes. Em commodities, avalia que o prolongamento do conflito pode tornar a resposta do petróleo mais convexa, enquanto fertilizantes sustentam a assimetria do milho e energia e clima fundamentam a tese do açúcar.
A carta ressalta que a Selic elevada, a inflação pressionada e a abertura das curvas globais mantêm alto o custo de oportunidade para os ativos brasileiros. Nos Estados Unidos, a persistência inflacionária pode levar o Fed a voltar a apertar os juros, com efeitos negativos sobre ativos sensíveis ao financiamento. A gestora também alerta que parte da reprecificação de empresas ligadas à inteligência artificial foi além do que os fundamentos justificam. Nas commodities, o prolongamento do conflito pode consumir estoques de petróleo e afetar as cadeias de fertilizantes, ampliando riscos para preços e produtividade agrícola.
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O regime global de juros próximos de zero e custo de capital quase abstrato parece ter ficado no passado, e os juros longos voltaram a determinar o preço de diversas classes de ativos.
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Cenário brasileiro
O Brasil enfrenta juros altos, inflação resiliente, inadimplência elevada e baixa visibilidade eleitoral, enquanto a menor esperança de alternância de governo percebida pelo mercado elevou o prêmio de risco dos ativos locais.
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Juros no Brasil
A alta do petróleo e a abertura das taxas globais reduziram o espaço para cortes de juros no Brasil, e a Selic de 14,5% ao ano permanece um obstáculo para ativos de risco.
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Estímulos ao consumo
As medidas federais de crédito mais acessível e renegociação de dívidas podem manter a economia aquecida por algum tempo, mas com menor capacidade de converter o crescimento corrente em investimento privado sustentável.
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Juros nos EUA
Nos Estados Unidos, a combinação de atividade resiliente, pressão inflacionária e déficit elevado levou a parte longa da curva a níveis não vistos pelo mercado em quase duas décadas.
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Ações americanas
O mercado acionário americano está dividido entre a economia da inteligência artificial, sustentada por investimentos e escassez de capacidade, e setores mais sensíveis aos juros e ao financiamento.
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Renda fixa global
A renda fixa global permanece condicionada aos acontecimentos no Oriente Médio e aos preços do petróleo, embora os efeitos sobre a política monetária variem conforme as condições de cada país.
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Juros no Japão
No Japão, a exposição energética, o risco para o PIB, a política fiscal, a alocação dos fundos de pensão e a menor atuação do BOJ têm acompanhado uma alta acelerada dos juros longos.
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Cenário britânico
No Reino Unido, a instabilidade política interage com inflação persistente, baixo crescimento e uma agenda fiscal contracionista, reforçando o ceticismo do mercado com os ativos britânicos.
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A gestora vê oportunidades em inteligência artificial, commodities, ativos brasileiros selecionados e assimetrias criadas pela volatilidade, desde que o investidor se adapte ao novo regime de mercado.
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Inteligência artificial
A inteligência artificial é vista como uma das maiores transformações econômicas das próximas décadas, mas a gestora entende que nem toda empresa associada à narrativa deve ser precificada como vencedora estrutural.
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Empresas de IA
A preferência recai sobre Nvidia, TSMC e Broadcom, ligadas ao coração do ciclo de inteligência artificial, e sobre Google e Amazon, pela infraestrutura computacional e conexão com o ecossistema da Anthropic.
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Utilities brasileiras
Utilities permanecem atraentes por dividendos, previsibilidade e fluxo de caixa.
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Minha Casa Minha Vida
A gestora vê valor em empresas ligadas ao Minha Casa Minha Vida, cujo crescimento e geração de caixa parecem menos dependentes do ciclo político de curto prazo.
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Petróleo e Ormuz
No petróleo, o prolongamento da disrupção em Ormuz reduz os estoques disponíveis e torna progressivamente mais convexa a resposta dos preços.
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Milho e fertilizantes
A restrição de fertilizantes decorrente da disrupção em Ormuz pode elevar custos, reduzir aplicação e produtividade e tornar mais assimétrico o balanço do milho americano.
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Açúcar e etanol
A tese do açúcar combina a possível convergência da gasolina brasileira à paridade internacional, que favoreceria a produção de etanol, com riscos climáticos à produção da Índia no segundo semestre.
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Transformação do Brasil
Para atrair investimento de longo prazo, o Brasil precisa de disciplina fiscal, aumento de produtividade, segurança institucional e maior abertura ao investimento privado.
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Selic alta, inflação pressionada, curvas globais em abertura e ausência de melhora fiscal ou ancoragem inflacionária dificultam uma reprecificação rápida dos ativos brasileiros.
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Aperto pelo Fed
A distância da inflação em relação à meta e a proximidade do desemprego ao nível neutro podem levar o Fed a voltar a elevar os juros.
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Juros longos
Os juros longos representam uma ameaça ao preço dos ativos, especialmente em setores dependentes de hipotecas, crédito ao consumidor, alavancagem ou financiamento barato.
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Valuation de IA
O setor de semicondutores atingiu níveis técnicos bastante esticados, e em alguns casos a reprecificação de empresas associadas à inteligência artificial parece ter ultrapassado o que os fundamentos justificam.
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Estoques de petróleo
Quanto mais o conflito se prolongar, menores serão os estoques disponíveis e maior será o risco de o mercado passar a discutir também a disponibilidade de derivados.
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Oferta de fertilizantes
A disrupção em Ormuz pode restringir cadeias de fertilizantes, pressionar custos agrícolas e afetar aplicação, produtividade e área plantada.
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Instabilidade britânica
A possível substituição do primeiro-ministro britânico por um nome mais populista pode reforçar o ceticismo do mercado diante do baixo crescimento, da inflação elevada e da agenda fiscal contracionista.
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Na renda fixa internacional, a gestora considera boas as posições relativas aplicadas em Suécia e Nova Zelândia, assim como posições tomadas no Chile e nos Estados Unidos.
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Libra esterlina
A gestora carrega posições vendidas na libra esterlina.
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Exposição em IA
Após a valorização e a rotação observadas em semicondutores, a gestora reduziu a exposição agregada ao setor e manteve preferência por empresas diretamente ligadas ao gargalo da inteligência artificial.
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Exposição no Brasil
A exposição ao Brasil permanece bastante reduzida, sem beta direcional relevante em um ambiente de juros elevados.
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Opções em EWZ
A gestora mantém opções de compra em EWZ para capturar um eventual cenário de alternância política ou uma reprecificação mais abrupta dos ativos brasileiros.
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Ações locais
Em ações locais, a gestora prefere setores nos quais o carrego e a geração de caixa ajudam a compensar o custo de oportunidade.
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Posição em milho
A gestora segue comprada no milho.
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