A gestora descreve um ambiente global em que a escassez de ativos físicos voltou ao centro da formação de preços, abrangendo petróleo, alumínio, fertilizantes, ouro e capacidade computacional. No Oriente Médio, a desconfiança entre o Irã e o Ocidente torna as negociações um esforço para converter sinais percebidos como ameaças em compromissos verificáveis. Embora abril tenha trazido avanços em direção à distensão, o fluxo de petróleo ainda não se normalizou e a trégua permanece frágil. Nos Estados Unidos, a alta das commodities interrompe temporariamente uma avenida de desinflação e deixa menos óbvio o momento de eventual afrouxamento monetário. No Brasil, o choque de termos de troca, o diferencial de juros e o fluxo estrangeiro têm favorecido o real e os ativos domésticos.
A carta não relata entradas, saídas ou redimensionamentos específicos, mas apresenta as posições mantidas pela gestora. Ela segue aplicada em juros na Suécia e na Nova Zelândia e permanece construtiva no yuan. Na ponta vendida, mantém peso mexicano, euro e libra. No portfólio, está comprada em real contra moedas europeias e usa uma posição vendida no peso mexicano como proteção.
A principal tese em inteligência artificial é que o gargalo migrou dos modelos para a infraestrutura, favorecendo ativos na base da cadeia, como energia, data centers, semicondutores, memória e equipamentos. Para o petróleo, a gestora estima convergência no médio prazo para cerca de US$ 70 por barril, enquanto o curto prazo permanece condicionado à disponibilidade física. No Brasil, vê suporte para o real nos termos de troca e no diferencial de juros, além de uma leitura construtiva para ações domésticas. Gosta do setor de distribuição de combustíveis e de utilidades públicas, estas beneficiadas pelo ciclo de corte de juros, crescimento esperado de lucros e dividendos e receitas indexadas à inflação. Se as negociações entre Irã e Ocidente avançarem, espera que o foco dos mercados retorne gradualmente aos fundamentos.
A gestora considera real, embora menos provável, o cenário em que as partes continuem divergindo sobre a abertura do estreito de Ormuz e a questão nuclear. Um fechamento prolongado eleva de forma não linear o risco de falta de petróleo e pode fazer o choque passar de preços para quantidades, afetando a atividade. Ativos produtivos destruídos, como parte da capacidade de alumínio, não são recompostos por um cessar-fogo, e rupturas em fertilizantes podem prejudicar a produtividade futura. Para o Brasil, o principal risco apontado é uma intensificação do conflito que leve o Brent acima de US$ 150 por barril, enfraqueça o apetite a risco e pressione o real.
Algumas afirmacoes desta carta ficaram fora do site por nao se sustentarem no documento. Este resumo foi escrito antes dessa conferencia; vale o que esta abaixo.
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A gestora entende que ativos físicos voltaram ao centro da formação de preços globais, com restrições simultâneas em petróleo, alumínio, fertilizantes, ouro e capacidade computacional.
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Irã e Ocidente
A relação entre Irã e Ocidente é marcada por desconfiança, e a negociação em curso busca transformar esse quadro em compromissos verificáveis, monitoramento e cooperação.
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Capacidade computacional
O principal gargalo da inteligência artificial passou do desenvolvimento dos modelos para a infraestrutura, com restrições em energia, data centers, semicondutores, memória e equipamentos.
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Equilíbrio do petróleo
O petróleo permanece central para o equilíbrio macro global, e a persistência de um déficit próximo de 9 milhões de barris por dia pode transformar o choque de preço em choque de quantidade, sobretudo na Ásia e na Europa.
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Juros nos EUA
A alta das commodities trouxe nova incerteza para a desinflação nos Estados Unidos e não elimina a possibilidade de afrouxamento monetário, mas torna seu timing menos óbvio e mais dependente da resolução dos choques exógenos.
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Economia da Suécia
Na Suécia, a inflação parte de nível muito abaixo da meta e a recuperação de uma economia ainda abaixo do potencial já mostra perda de tração; a estrutura de crédito flutuante e o elevado endividamento do consumidor também colocam a recuperação do consumo em risco.
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Cenário brasileiro
O Brasil tem se beneficiado do choque positivo de termos de troca, enquanto o diferencial de juros elevado e o fluxo estrangeiro dão suporte ao real e aos ativos domésticos.
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A leitura central da gestora é que a oferta restrita voltou a elevar o valor de ativos físicos, criando oportunidades em infraestrutura de inteligência artificial, commodities e ativos brasileiros beneficiados pelos termos de troca.
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Infraestrutura de IA
Como a escassez de infraestrutura é considerada mais objetiva do que a liderança entre modelos, os vencedores mais consistentes da inteligência artificial tendem a estar na base da cadeia e a capturar valor independentemente de quem lidere a fronteira tecnológica.
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Preço do petróleo
No médio prazo, a gestora estima que o petróleo convergirá para cerca de US$ 70 por barril, refletindo a necessidade de estoques estratégicos e um prêmio de risco mais elevado, mesmo com provável aumento da oferta da OPEP.
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Tese para o real
A tese favorável ao real combina melhora dos termos de troca, perspectiva de aumento da produção brasileira de petróleo e diferencial de juros ainda elevado.
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Ações brasileiras
A gestora mantém leitura construtiva para ações brasileiras e destaca distribuição de combustíveis, favorecida por margens maiores, combate a operadores irregulares e ganhos de participação das empresas listadas, além de utilidades públicas, beneficiadas pela queda de juros, crescimento esperado de lucros e dividendos e receitas indexadas à inflação.
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Hedge em commodities
Se as divergências entre Irã e Ocidente persistirem, a gestora considera commodities o melhor hedge para ativos de risco.
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Fechamento de Ormuz
Quanto mais se prolongar o fechamento do estreito, maior será o risco de falta de petróleo e de uma alta não linear dos preços, com possíveis efeitos diretos sobre a atividade econômica.
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Choques de oferta
Um cessar-fogo pode destravar a logística, mas não recompõe ativos destruídos; perdas em alumínio e rupturas no fluxo de fertilizantes podem prolongar o choque e afetar a produtividade futura.
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Pressões inflacionárias
O choque de petróleo e de insumos industriais cria pressões adicionais sobre a inflação, interrompe temporariamente a desinflação nos Estados Unidos e levou a gestora a revisar sua projeção de IPCA do ano de 4,0% para 4,56%.
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Risco para o real
Um agravamento do conflito que leve o Brent acima de US$ 150 por barril pode interromper o apetite a risco que sustenta o real, pois moedas de high beta tendem a sofrer mais em episódios de aversão a risco.
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Ativos domésticos
A assimetria favorável aos ativos domésticos é descrita como frágil e sujeita a mudanças, em um cenário político ainda em aberto.
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A carta descreve posições aplicadas em juros, exposição construtiva ao yuan, posições vendidas em determinadas moedas e uma posição comprada no real; não explicita entradas, saídas ou redimensionamentos dessas posições.
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Juros internacionais
A gestora segue com posições aplicadas na Suécia e mantém posições análogas na Nova Zelândia.
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Posição no yuan
A gestora permanece construtiva no yuan diante do questionamento gradual da arquitetura dos petrodólares e do avanço da internacionalização da moeda chinesa.
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Posições em moedas
A gestora está vendida no peso mexicano, no euro e na libra e mantém posição comprada no real contra moedas europeias, usando a venda de peso mexicano como proteção para essa posição.
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