A gestora descreve 2026 como um “Ano de Troia”, no qual decisões políticas no Brasil e nos Estados Unidos influenciarão juros, moedas, fluxos de capitais, energia, inteligência artificial, geopolítica e confiança institucional. Nos Estados Unidos, as eleições legislativas ocorrem em meio a déficits volumosos, inflação ainda acima da meta, sinais de fragilidade no mercado de trabalho e crescimento desigual entre consumidores de alta e baixa renda. No Brasil, a eleição é apresentada como um confronto entre projetos distintos para o papel do Estado, a responsabilidade fiscal, a produtividade e o ambiente de negócios. Ao mesmo tempo, a economia brasileira está praticamente estagnada, o mercado de trabalho perde ímpeto e a inflação surpreende para baixo.
No portfólio, a gestora está comprando inflação como proteção para suas posições voltadas à queda dos juros no Brasil. A posição se apoia na avaliação de que, se a inflação convergir para perto do centro da meta, o espaço para cortes do Banco Central poderá superar os 250 pontos-base precificados na curva. Na bolsa brasileira, a gestora permanece comprada, pois considera elevado o potencial de valorização associado ao posicionamento fiscal que emergirá da disputa eleitoral. A carta também organiza sua análise dos ativos brasileiros entre câmbio, ações e taxas de juros.
A gestora espera que a desaceleração da atividade e núcleos de inflação abaixo de 4% criem condições para o Banco Central começar a reduzir o aperto monetário no primeiro trimestre, em um ciclo potencialmente mais profundo que o precificado pelo mercado. Para a bolsa brasileira, a tese depende de uma proposta fiscal crível que comprima a parte longa da curva de juros. Nos Estados Unidos, a próxima etapa da inteligência artificial deverá ser marcada pela necessidade de converter infraestrutura e modelos em receitas, produtos corporativos e margens. Entre as commodities, a carta atribui ao ouro uma função de refúgio, vê um piso funcional para o petróleo abaixo de US$ 50 por barril e considera o gás natural estratégico para atender à demanda elétrica da inteligência artificial.
A principal ressalva nos Estados Unidos é que novos estímulos fiscais, diante de dívida elevada, maior custo de rolagem e inflação de serviços resistente, podem alimentar a instabilidade que pretendem conter. A combinação de estímulos, um Federal Reserve potencialmente mais tolerante à inflação, endividamento crescente e dependência do crescimento via inteligência artificial pressiona o dólar e a curva longa de juros. No Brasil, a possibilidade de valorização dos ativos depende da credibilidade do discurso fiscal durante as eleições, enquanto o governo dispõe de margem estreita para medidas expansivas. A carta também ressalta que as empresas de tecnologia precisam provar a monetização dos investimentos elevados em infraestrutura, em um ambiente de valuations esticadas e concentração excessiva em inteligência artificial.
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A gestora caracteriza 2026 como um período em que decisões políticas no Brasil e nos Estados Unidos influenciarão juros, moedas, fluxos de capitais, energia, inteligência artificial, geopolítica e confiança institucional.
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Cerco fiscal americano
Os Estados Unidos entram em 2026 sob um cerco fiscal prolongado, com déficits volumosos e gastos associados à política industrial, aos programas sociais, às tarifas, à inteligência artificial e à infraestrutura energética.
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Crescimento em K
A economia americana apresenta um “crescimento em K”, no qual o consumo de alta renda se sustenta enquanto o consumo de baixa renda perde tração, em um contexto de maior relevância do custo de vida e de fragilidade no mercado de trabalho.
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Impulso fiscal americano
A gestora espera que o governo americano injete mais impulsos fiscais para apoiar a atividade da parcela mais sensível da população, com parte do efeito já contratada pelos cortes de impostos da “Big Beautiful Bill”.
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Crescimento via I.A.
O crescimento americano depende diretamente da inteligência artificial, mas o impulso de CAPEX das big techs se aproxima de um limite natural e a próxima fase exigirá receita, não apenas infraestrutura.
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Eleição brasileira
A eleição brasileira de 2026 é apresentada como uma disputa entre projetos distintos quanto à responsabilidade fiscal, à produtividade, à política industrial e ao ambiente de negócios.
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Economia brasileira
A carta descreve o início do segundo semestre com a economia brasileira praticamente estagnada, o mercado de trabalho perdendo ímpeto e a inflação surpreendendo sistematicamente para baixo.
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Aperto monetário
A gestora espera núcleos de inflação abaixo de 4% em 2026 e avalia que a desaceleração da atividade criará condições para o Banco Central começar a reduzir o aperto monetário no primeiro trimestre.
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A gestora avalia o carrego do real com juros ainda elevados, o potencial da bolsa diante de um fechamento dos juros longos e um ciclo de redução do aperto monetário possivelmente mais profundo que o precificado pelo mercado.
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Cortes do BC
Se a inflação convergir para 3,3% em meados de 2026, como precificado pelo mercado, a gestora entende que o espaço para cortes do Banco Central deverá ser superior aos 250 pontos-base incorporados na curva de juros.
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Credibilidade fiscal
Uma proposta fiscal crível, capaz de comprimir a parte longa da curva de juros, tem potencial para alterar a estrutura de preços dos ativos reais e produzir valorização significativa da bolsa brasileira.
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Monetização da I.A.
A próxima etapa do ciclo de inteligência artificial será definida pela capacidade das empresas de converter infraestrutura e modelos em produtos corporativos, faturamento recorrente e margens.
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Ouro como refúgio
Em um ambiente de déficits elevados, valuations esticadas e concentração excessiva em inteligência artificial, o ouro mantém sua função de refúgio diante da incerteza fiscal e da fragilidade institucional.
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Piso do petróleo
Embora o petróleo venha se enfraquecendo por causa de oferta resiliente e de um cartel fragmentado, a gestora identifica um piso funcional abaixo de US$ 50 por barril, nível em que a produção americana começa a se deteriorar.
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Gás natural
O gás natural é considerado um combustível estratégico para sustentar a expansão da demanda elétrica gerada pela inteligência artificial, especialmente diante dos limites atribuídos a outras fontes de energia.
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A repetição de estímulos fiscais nos Estados Unidos, diante de dívida elevada, maior custo de rolagem e inflação de serviços resistente, pode alimentar a instabilidade que o governo deseja conter.
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Dólar e curva
A combinação de estímulo contínuo, Federal Reserve mais brando, inflação estrutural, endividamento crescente e dependência do crescimento via inteligência artificial pressiona simultaneamente o dólar e a curva longa de juros.
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Ciclo do Fed
A pressão fiscal em uma economia com inflação alta pode forçar o Federal Reserve a encerrar seu ciclo antes do esperado ou manter elevado o prêmio da curva e as taxas longas.
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Retorno da I.A.
O ciclo tecnológico enfrenta o risco de que as empresas não consigam demonstrar que o crescimento de usuários e produtos corporativos sustenta o retorno do capital investido em inteligência artificial.
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Margem fiscal brasileira
Em ano eleitoral, o governo brasileiro dispõe de margem estreita para medidas expansivas e precisa equilibrar ambição política e responsabilidade fiscal para não perder o eleitor mediano.
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Programa do desafiante
O desafiante na eleição brasileira precisa apresentar um programa minimamente crível a uma população que já arcou com aventuras fiscais e não tolera novos aumentos de impostos.
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Juros reais longos
Embora o prêmio de risco dos ativos brasileiros esteja próximo da média histórica, os juros reais longos permanecem em níveis que a gestora considera incompatíveis com um ciclo sustentável de valorização dos ativos domésticos.
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Discurso fiscal
A valorização dos ativos brasileiros depende da precisão e da credibilidade do discurso fiscal que emergirá durante a disputa eleitoral.
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A carta estrutura a atuação nos ativos brasileiros em três frentes: câmbio, ações e taxas de juros.
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Proteção de inflação
A gestora está comprando inflação como proteção para suas posições voltadas à queda dos juros no Brasil.
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Bolsa brasileira
A gestora permanece comprada em bolsa brasileira por considerar elevado o potencial de valorização ligado ao posicionamento que emergirá da disputa eleitoral.
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