A gestora descreve um novo equilíbrio no mercado de crédito, diferente do imaginado no início do ano e com dinâmicas distintas entre os segmentos. Embora o Copom tenha cortado a Selic em 25 bps, os juros reais seguem elevados, as expectativas de novos cortes diminuíram e os ativos de risco tiveram desempenho fraco, mantendo os investidores sobrealocados em renda fixa. Nos ativos não incentivados, excesso de liquidez e fluxos das próprias carteiras sustentam os preços. Nas debêntures incentivadas, o fechamento de cerca de 20 bps em junho decorreu principalmente da baixa oferta e de compras técnicas, e não de uma retomada estrutural da demanda.
A carta não detalha entradas, saídas ou redimensionamentos de posições nas carteiras. No mercado primário, a participação da gestora permaneceu seletiva, com recusa de operações cuja remuneração não compensava os riscos de crédito e liquidez, além de algumas exclusões por questões específicas de crédito. Ao longo do semestre, a gestora lançou o PREE11, fundo listado que replica a estratégia do Sparta Debêntures Incentivadas Estratégico e alterna objetivamente entre ativos prefixados e pós-fixados conforme as decisões do Copom.
A gestora mantém a diferenciação das estratégias por indexador e a disciplina de exigir remuneração adequada para os riscos assumidos. Continua vendo pouca atratividade nas estratégias hedgeadas de debêntures incentivadas, mas permanece construtiva nas estratégias indexadas à inflação e prefixadas, para as quais as taxas elevadas dos títulos públicos oferecem assimetria favorável a investidores de médio e longo prazo. Em créditos estressados, a decisão de manter ou vender depende da comparação entre o preço de mercado e a recuperação estimada, e não apenas da ocorrência de um evento de crédito. Adiante, a gestora continuará acompanhando os fluxos da indústria e o mercado primário, considerados determinantes para a formação de preços.
A gestora ressalta que o mercado de debêntures incentivadas permanece sensível a pequenos desequilíbrios entre compradores e vendedores, o que pode provocar volatilidade relevante dos spreads sem compensação equivalente no retorno esperado. A estabilidade recente desse segmento resulta mais de baixa oferta e baixa demanda do que de uma melhora estrutural da atratividade. Os juros reais elevados continuam restringindo a geração de caixa das empresas, enquanto riscos de crédito, liquidez e volatilidade exigem disciplina de alocação. Em situações de estresse, preços também incorporam incerteza sobre negociações, prazo de conclusão, menor liquidez e o prêmio exigido para permanecer exposto.
-
O mercado de crédito encontrou um novo equilíbrio, diferente daquele observado na virada do ano e manifestado de formas distintas entre os segmentos incentivado e não incentivado.
p.2 p.3 -
Taxa Selic
O corte de 25 bps da Selic teve impacto marginal no crédito corporativo, enquanto os juros reais permaneceram elevados e as expectativas para os próximos cortes diminuíram.
p.2 -
Renda fixa
O desempenho fraco dos ativos de risco e a atratividade relativa da renda fixa mantiveram os investidores fortemente alocados nessa classe, sem gatilho claro para uma mudança relevante de alocação.
p.2 -
Crédito não incentivado
Nos fundos não incentivados, a sobrealocação dos investidores, o excesso de liquidez e os fluxos de juros, amortizações e vencimentos continuam sustentando os preços e permitindo administrar resgates sem vendas relevantes no mercado secundário.
p.2 p.3 p.5 -
Debêntures incentivadas
Nas debêntures incentivadas, o fechamento de aproximadamente 20 bps em junho foi favorecido pela baixa oferta, pela redução dos resgates e por compras técnicas para enquadramento, sem representar uma retomada estrutural da demanda.
p.2 p.5 -
Processo eleitoral
A proximidade do processo eleitoral reduz, na leitura da gestora, a probabilidade de mudanças significativas na alocação dos investidores ao longo do segundo semestre.
p.2
-
A gestora mantém a diferenciação das estratégias por indexador e prioriza ativos cuja remuneração compense adequadamente os riscos de crédito, liquidez e volatilidade.
p.4 p.7 -
Estratégias hedgeadas
A gestora continua vendo pouca atratividade nas estratégias hedgeadas de debêntures incentivadas, devido à relação pouco favorável entre retorno esperado e risco.
p.3 p.7 -
Inflação e prefixadas
A gestora permanece construtiva nas estratégias indexadas à inflação e prefixadas, nas quais as taxas historicamente elevadas dos títulos públicos e das curvas de juros oferecem assimetria favorável para horizontes de médio e longo prazo.
p.3 p.7 -
Mercado primário
Mesmo em um mercado comprador, a gestora manteve participação seletiva no mercado primário e deixou de investir em ofertas cuja remuneração não compensava os riscos de crédito e liquidez.
p.4 -
Créditos estressados
Após um evento de crédito, a decisão de manter ou vender uma posição deve comparar o preço de mercado com a recuperação estimada, incorporando ativos, estrutura de capital, fluxo de caixa e dinâmica entre credores e acionistas.
p.6 -
Estratégia PREE11
O PREE11 replica a estratégia do Sparta Debêntures Incentivadas Estratégico e busca capturar ciclos de queda e manutenção da Selic com carteira indexada ao IDKA Pré 2A, migrando para pós-fixados quando se inicia um ciclo de alta dos juros.
p.3 -
Fluxos da indústria
A gestora continuará acompanhando os fluxos da indústria e o mercado primário por considerar essas variáveis determinantes para a formação dos preços de crédito.
p.7
-
O ambiente para o crédito continua exigindo elevada disciplina, pois a resiliência de parte do mercado não elimina diferenças relevantes entre retorno esperado e risco.
p.7 -
Pequenos desequilíbrios
O mercado de debêntures incentivadas permanece sensível a pequenos desequilíbrios entre oferta e demanda, capazes de produzir movimentos relevantes de preços e volatilidade dos spreads.
p.2 p.3 p.5 p.7 -
Baixa oferta
A estabilidade das debêntures incentivadas decorre mais da baixa oferta e da baixa demanda do que de uma melhora estrutural da atratividade dos ativos.
p.2 -
Juros reais
Os juros reais em patamar elevado continuam restringindo a geração de caixa das empresas.
p.2 -
Eventos de crédito
Em situações de estresse, o preço incorpora incerteza sobre a negociação, tempo para sua conclusão, menor liquidez dos títulos e o prêmio exigido pelos investidores para permanecer expostos.
p.6 -
Risco e remuneração
Nem todo crédito estressado representa uma oportunidade, pois a deterioração pode apenas confirmar que o preço permanece insuficiente para remunerar adequadamente o risco.
p.6 -
Riscos dos fundos
As estratégias dos fundos podem resultar em perdas patrimoniais significativas, e a rentabilidade passada não garante resultados futuros.
p.11
Nao explicitado na carta