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Resumo

O segundo trimestre de 2022 foi descrito como bastante difícil para os ativos de risco globais e brasileiros, com queda de 18% do Ibovespa, juros longos em 13% ao ano e inflação implícita de longo prazo em 7% ao ano. A pressão foi mais intensa sobre empresas menores, segmento que representava cerca de 30% a 35% do fundo. Apesar do ambiente econômico desfavorável, a gestora avaliava que a Bolsa brasileira negociava com desconto extremo, tanto em relação ao próprio histórico quanto às bolsas globais. Ao mesmo tempo, apontava melhora de margens e rentabilidade das empresas brasileiras desde 2015, além de baixa alavancagem corporativa.

No trimestre, a principal adição foi Eletrobras, comprada no leilão de privatização em uma posição de cerca de 5% do fundo, e também foi iniciada uma posição de 1% em Brisanet. A gestora aumentou um pouco Suzano e Natura e voltou a investir em Rede D'Or, desfazendo com ganho a arbitragem em SulAmérica. Para financiar as aquisições, vendeu cerca de 40% da posição em Hypera e reduziu Light. SulAmérica e BR Properties foram zeradas, esta última após a valorização associada à venda de ativos para a Brookfield.

A gestora estimava em 99% o potencial de valorização da carteira por fluxo de caixa descontado, o maior de sua série histórica, mesmo usando taxas de desconto próximas de 14%. Em Eletrobras, a tese combinava desconto frente às geradoras privadas, redução das ineficiências após a privatização e outras possibilidades de geração de valor. Mills, OceanPact e Priner, que juntas representavam pouco mais de 10% da carteira, eram vistas como small caps muito descontadas e em bons momentos operacionais. A gestora também via Klabin e Suzano como empresas globalmente eficientes, com projetos de crescimento rentáveis e menor dependência da atividade doméstica.

A gestora reconheceu que não podia precisar quando a distorção de preços da Bolsa seria corrigida e que uma nova alta dos juros longos reduziria o potencial calculado para a carteira. Em Eletrobras, apontou riscos políticos, de execução, de materialização de passivos e de preços de energia, além de possíveis gastos não recorrentes na reestruturação. As small caps estavam sujeitas a baixa liquidez e a quedas mais intensas em momentos de mercado depreciado. Também foram destacados o provável recuo dos lucros de empresas de commodities, caso os preços se normalizassem, e um ano de 2022 desafiador para Coinbase devido à menor liquidez e ao menor volume negociado em criptoativos.

Visao macro
  • O segundo trimestre de 2022 foi bastante difícil para os ativos de risco globais e brasileiros; o Ibovespa caiu 18%, o DI de 2030 chegou a 13% ao ano e a inflação implícita de longo prazo estava em 7% ao ano.

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  • Desconto da Bolsa

    A gestora via a Bolsa brasileira em um momento de desconto extremo, com P/L próximo de 6 vezes, mais de dois desvios-padrão abaixo da média dos últimos dez anos e nas mínimas relativas dos últimos 25 anos frente ao S&P 500 e aos índices globais.

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  • Empresas brasileiras

    Apesar do ambiente econômico desfavorável, as empresas brasileiras apresentavam evolução positiva de margens e rentabilidade desde 2015, além de alavancagem baixa e capacidade de investimento.

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  • Negócios domésticos

    Os negócios domésticos, excluídos bancos e empresas mais dependentes de commodities, negociavam a múltiplos historicamente baixos e poderiam passar por um re-rating.

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  • Ciclo de mercado

    Com base nos patamares de valuation, a gestora acreditava estar muito perto do fim do ciclo de desvalorização da Bolsa e de um momento de recuperação, embora não pudesse precisar quando a distorção seria corrigida.

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Teses de investimento
  • O potencial de valorização da carteira, calculado por fluxo de caixa descontado, era de 99%, o maior valor da série histórica acompanhada pela gestora desde 2008.

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  • Tese de Eletrobras

    A tese de Eletrobras combinava ativos estratégicos e geograficamente irreplicáveis, desconto frente aos pares privados e ao valor justo estimado e uma taxa interna de retorno próxima de 13% ao ano real em um modelo considerado conservador.

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  • Eficiência da Eletrobras

    A principal alavanca de valor esperada para Eletrobras era a redução do desnível de eficiência operacional frente às geradoras privadas por meio de PDVs, reestruturações societárias, encerramento de SPEs e venda de ativos.

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  • Small caps

    Mills, OceanPact e Priner somavam pouco mais de 10% da carteira e eram vistas como empresas em bons momentos operacionais, conhecidas há anos pela gestora e negociadas a preços extremamente convidativos.

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  • Tese de Mills

    Mills, principal small cap do portfólio com posição próxima de 6%, era vista como líder de mercado, em provável melhor ano operacional de sua história e com valor estimado de pelo menos R$ 13 por ação; a gestora considerava possível que a ação triplicasse em dois anos.

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  • Tese de OceanPact

    A gestora estimava valor justo de R$ 6 por ação para OceanPact, mais de 200% acima do preço então citado, apoiada pela recuperação dos daily rates e pelo aumento da atividade de exploração offshore no Brasil.

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  • Tese de Priner

    Priner era vista em seu melhor momento histórico, com ganho de participação de mercado, backlog e pipeline recordes e valor justo conservador de R$ 10,70 por ação, correspondente a um potencial de valorização de 95%.

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  • Klabin e Suzano

    A tese em Klabin e Suzano se apoiava em menor risco de longo prazo para a celulose, projetos de expansão com custos baixos e alta rentabilidade, múltiplos inferiores aos históricos, benefício da depreciação cambial e menor correlação com a atividade doméstica.

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Riscos
  • Uma deterioração adicional dos juros longos, com o cupom de inflação subindo para 7% ou 8%, reduziria o potencial de valorização calculado para o portfólio.

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  • Preços de commodities

    A gestora considerava provável que os lucros das empresas de petróleo, mineração e siderurgia diminuíssem nos três a cinco anos seguintes caso os preços das commodities recuassem, risco reforçado por uma eventual desaceleração do crescimento mundial.

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  • Riscos de Eletrobras

    Em Eletrobras, os riscos destacados foram eventual contestação política da privatização, dificuldades de execução da reestruturação, materialização de passivos e exposição aos preços de energia para a parcela descontratada.

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  • Custos de reestruturação

    A implementação de PDVs e outras medidas necessárias ao turnaround de Eletrobras poderia gerar gastos não recorrentes nos primeiros resultados, embora a gestora os visse como um custo presente para obter benefícios futuros.

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  • Liquidez das small caps

    As small caps sofriam mais em momentos de preços depreciados, e a pouca liquidez era um fator relevante para empresas como OceanPact e Priner.

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  • Via e Coinbase

    Via surpreendeu negativamente pelo consumo de caixa e continuava na carteira com cerca de 1% do fundo; para Coinbase, a gestora esperava um ano de 2022 desafiador, com menor liquidez dos criptoativos, queda de volumes e resultados menores após a expansão da estrutura.

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Mudancas de portfolio
  • No trimestre, a carteira incorporou Eletrobras e Brisanet, aumentou Suzano e Natura, voltou a Rede D'Or, reduziu Hypera e Light e zerou SulAmérica e BR Properties.

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  • Posição em Eletrobras

    A principal adição foi Eletrobras, comprada no leilão de privatização em uma posição de aproximadamente 5% do fundo, passando a figurar entre as seis ou sete maiores posições.

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  • Posição em Brisanet

    A gestora iniciou uma posição de 1% em Brisanet, considerada bem operada e extremamente descontada após uma queda de 85% desde o IPO, mas com pouca liquidez.

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  • Rede D'Or

    A gestora desfez com ganho a arbitragem em SulAmérica, zerou essa posição e voltou a ser acionista de Rede D'Or.

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  • Vendas no trimestre

    As aquisições foram financiadas, entre outros movimentos, pela venda de cerca de 40% da posição em Hypera e pela redução de Light; BR Properties também foi zerada com realização de lucros após o mercado reconhecer parte do valor de uma transação com a Brookfield.

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Resumo gerado por modelo, sem fonte propria. Cada afirmacao acima aponta para a pagina, o minuto ou o trecho de origem na publicacao oficial da gestora.