A gestora descreve o início de 2023 como um momento complexo, marcado por turbulência política, desconfiança em relação ao novo governo e desaceleração mundial, com risco de recessão global. O ruído da transição e as preocupações fiscais provocaram estresse no mercado, especialmente em novembro e no começo de dezembro, prejudicando o fundo no fim de 2022. Apesar das diferenças esperadas na gestão de estatais e da ausência de privatizações, a gestora entende que a necessidade de estabilidade fiscal é amplamente reconhecida. Ela compara o momento a crises anteriores que foram seguidas por fortes valorizações da bolsa, mas ressalta que uma reprecificação depende da presença de vetores positivos.
A carteira terminou dezembro de 2022 praticamente toda investida, com 2% em caixa, e mais concentrada nas ações de maior convicção. Ânima foi adicionada, B3 e Lojas Renner foram elevadas a 10% cada, Rede D'Or também foi aumentada e Mills voltou a ser comprada após uma redução anterior. A posição em Suzano foi diminuída em 2,5%, enquanto PetroReconcavo, Light e Via Varejo foram zeradas. B3, Lojas Renner e Mills passaram a representar, juntas, 30% da carteira, e a exposição a small caps aumentou à medida que essas ações se desvalorizaram.
A tese geral combina empresas com margens e balanços saudáveis, preços deprimidos e múltiplos próximos dos menores níveis dos últimos 20 anos. O fluxo de caixa descontado da carteira indicava potencial de valorização de 86%, mesmo com taxa média de desconto de 14%, e a gestora argumenta que juros elevados já estão refletidos nos preços das ações. Entre as maiores posições, espera crescimento estrutural para B3, ganho de participação de mercado para Lojas Renner e forte expansão operacional para Mills. Também mantém visão positiva sobre Santos Brasil, BTG Pactual e Priner, apoiada em crescimento, rentabilidade, vantagens competitivas ou múltiplos considerados atrativos.
A gestora reconhece que o cenário continua sujeito a desconfiança fiscal, turbulência política, desaceleração mundial e possível recessão global. Uma alta adicional dos juros reais de longo prazo reduziria o valor estimado das empresas e o potencial de valorização da carteira. No nível das companhias, a B3 depende dos volumes de negociação no curto prazo, o BTG e o Banco PAN enfrentam um ambiente menos favorável em algumas atividades, e a OceanPact ainda precisa melhorar resultados e administrar uma dívida relativamente elevada. A liquidação de Light também evidencia o risco de execução em teses de recuperação, enquanto a exposição a small caps envolve empresas menores e menos líquidas que sofreram nos últimos anos.
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A gestora descreve o início de 2023 como um momento complexo, com turbulência política no Brasil, desconfiança em relação ao novo governo e desaceleração mundial acompanhada de risco de recessão global.
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Transição de governo
O ruído durante a transição de governo e as preocupações com estabilidade fiscal provocaram estresse no mercado em novembro e no começo de dezembro, prejudicando a performance dos fundos no fim de 2022.
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Estabilidade fiscal
Apesar de esperar diferenças em relação ao governo anterior, especialmente na gestão das estatais e na ausência de privatizações, a gestora entende que a necessidade de estabilidade fiscal e de não gastar mais do que se arrecada é um ponto amplamente reconhecido.
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Vetores positivos
A gestora identifica como vetores positivos a lucratividade e as margens saudáveis das empresas brasileiras, os balanços pouco endividados, os preços deprimidos, a baixa alocação estrangeira e as compras realizadas por investidores estratégicos.
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Juro de longo prazo
Na visão da gestora, momentos de juros de longo prazo próximos das máximas podem ser favoráveis à compra de ações com horizonte de três a cinco anos, porque os preços já incorporam taxas de desconto elevadas.
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O fluxo de caixa descontado da carteira apontava potencial de valorização de 86%, um dos maiores da série histórica, mesmo utilizando uma taxa média de desconto de 14%.
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Ações brasileiras
A tese geral para ações brasileiras se apoia em margens de lucro elevadas, balanços saudáveis, baixo endividamento e múltiplos de preço sobre lucro próximos dos menores níveis dos últimos 20 anos.
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Empresas menores
A gestora via maior distorção nas empresas menores, com várias delas apresentando potencial de mais do que dobrar de preço nos próximos um ou dois anos, segundo suas estimativas.
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Tese de B3
A tese de B3 combina crescimento de longo prazo do mercado de capitais brasileiro, posição descrita como monopólio natural, elevada liquidez e pagamento de dividendos; a gestora usa como cenário-base crescimento de receita entre 10% e 15% em médias de longo prazo.
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Tese de Renner
A gestora considera Lojas Renner uma ganhadora estrutural de participação no varejo de vestuário, com balanço sólido e boa gestão, e projetava crescimento de receita de pelo menos 10% e de lucro entre 12% e 15% em 2023, mesmo com PIB próximo de zero.
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Tese de Mills
A tese de Mills combina liderança no aluguel de plataformas, melhora de utilização e preços e entrada no mercado de máquinas de linha amarela; a gestora projetava expansão de EBITDA superior a 40% e crescimento de lucro de aproximadamente 20% em 2023.
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Santos Brasil
A gestora espera que Santos Brasil continue se beneficiando de barreiras de entrada, elevada utilização do Porto de Santos, poder de precificação, crescimento de caixa operacional e possível aumento de dividendos, além da expansão futura em terminais de granel.
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BTG Pactual
A tese de BTG Pactual se apoia em posições relevantes no mercado financeiro, expansão em varejo e crédito, gestão experiente, retorno sobre patrimônio elevado e oportunidades de ganho de participação de mercado; a gestora estimava potencial de valorização próximo de 40%.
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Priner
A gestora permanece extremamente positiva com Priner, destacando sua liderança em serviços de engenharia de manutenção, a expansão por aquisições, a triplicação de EBITDA e lucro líquido desde o IPO e o múltiplo de três vezes EBITDA.
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OceanPact
A gestora permanece investida em OceanPact e considera sua dívida gerenciável, principalmente diante da recuperação dos preços das diárias, embora espere uma evolução relevante dos resultados.
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Os principais riscos gerais apontados são a turbulência política, a persistência das desconfianças em relação ao governo, a desaceleração mundial e a possibilidade de recessão global.
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Juro real
Se o juro real de longo prazo subir para níveis de 7% ou 8%, o valor estimado das empresas e o potencial de valorização da carteira diminuiriam; a gestora, porém, não considera esse o cenário mais provável.
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Small caps
A exposição relevante a small caps envolve uma classe de ativos que sofreu nos últimos dois anos e meio e inclui empresas menores e menos líquidas, cuja recuperação depende também de maior apetite do mercado.
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Resultados da B3
Os resultados de curto prazo da B3 podem variar com o volume de negociação de ações, tornando o ano corrente mais difícil de projetar do que as tendências de três a cinco anos.
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Curto prazo BTG
A gestora reconhece que o curto prazo pode ser mais difícil para as atividades de mercado de capitais do BTG e para o Banco PAN diante do cenário de juros.
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Atuação do BNDES
Uma atuação mais intensa do BNDES pode deslocar emissões de dívida e demanda de empresas do mercado privado; a gestora considera esse um risco importante a monitorar, embora não o inclua como dano no cenário-base para o BTG.
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Turnaround da Light
O turnaround da Light mostrou-se muito complexo devido à dificuldade de reduzir perdas e obter reconhecimento regulatório, levando a gestora a preferir empresas com desafios de execução menores.
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Dívida da OceanPact
OceanPact ainda precisa mostrar evolução relevante de resultados e possui dívida relativamente elevada, em torno de três vezes EBITDA, o que torna a posição mais delicada do que Priner.
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Ao final de dezembro de 2022, a carteira estava praticamente toda investida, com 2% em caixa, e mais concentrada nas ações em que a gestora tinha maior convicção.
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Principais posições
B3, Lojas Renner e Mills tornaram-se as três maiores posições e, somadas, representavam 30% da carteira; B3 e Lojas Renner tinham 10% cada.
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Aumentos na carteira
No quarto trimestre de 2022, a gestora adicionou Ânima, aumentou significativamente B3 e Lojas Renner e também ampliou Rede D'Or.
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Realização de lucros
A gestora reduziu Suzano em 2,5% para realizar lucros e zerou PetroReconcavo, Light e Via Varejo.
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Posição em Mills
Depois de vender cerca de um terço de Mills após uma valorização superior a 100% no terceiro trimestre, a gestora voltou a comprar a ação quando seu preço caiu.
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Small caps
A carteira passou a ter um percentual grande em small caps, que foram compradas à medida que se desvalorizaram nos últimos dois anos e meio.
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Posição em Light
A posição em Light foi liquidada para concentrar recursos em B3, Mills e Lojas Renner, teses nas quais a gestora via maior convicção de realização do potencial.
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