A gestora descreve o coronavírus como um choque abrupto que levaria o mundo a uma recessão muito severa em 2020 e anteciparia o risco externo que já vinha sendo monitorado. Para o Brasil, a tese anterior combinava recuperação econômica após uma recessão profunda, elevada ociosidade, ausência de pressões inflacionárias visíveis e juros baixos. Após a queda do mercado, as ações brasileiras voltaram, na visão da gestora, a patamares de valuation semelhantes aos de 2016 e 2017. Os demais argumentos da tese permaneceriam válidos, mas seu desenvolvimento seria postergado pela crise.
A gestora zerou as posições em Via Varejo, Lojas Renner, Guararapes e Azul porque avaliou que a relação entre risco e retorno desses investimentos havia piorado. O capital foi direcionado ao aumento das posições em B3, Banco do Brasil, BRF, Rumo Logística e Suzano. O caixa do Leblon Ações, que havia chegado a 14% em janeiro, foi reduzido para 11% mediante alocações durante as quedas. Ao fim do período descrito, a carteira tinha 20 empresas e suas maiores posições eram B3, Banco do Brasil, Suzano, BRF, Petrobras e Rumo Logística.
As seis principais empresas foram apresentadas como negócios defensivos ou antifrágeis, ou como ações cuja queda teria sido desproporcional à piora dos fundamentos. A B3 se beneficiaria do aumento dos volumes negociados; Suzano e BRF, do câmbio desvalorizado; e Rumo teria receitas majoritariamente associadas ao transporte de produtos agrícolas. A gestora também via Banco do Brasil negociando a múltiplos baixos, apesar do aumento esperado da inadimplência, e esperava normalização da lucratividade da Petrobras com uma recuperação do petróleo. A recuperação das cotas poderia ocorrer até o final do ano ou levar até três anos, condicionada à chegada de vacina ou tratamento e à eficácia das medidas governamentais.
A gestora ressalta que algumas empresas poderiam não resistir a 2020 diante de quedas abruptas de faturamento, sobretudo quando combinadas com alavancagem financeira e custos rígidos. Também permanecia o risco de o Brasil não conseguir se desacoplar da economia mundial, o que dependeria de organização interna, negociação política, reformas e responsabilidade fiscal. Entre os riscos específicos, estavam maior inadimplência no Banco do Brasil, redução de lucro e aumento do endividamento da Petrobras e menor atividade de IPOs e emissões para a B3 caso a crise se prolongasse. A própria expectativa de recuperação dependia do controle da crise sanitária e da eficácia do apoio governamental.
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O coronavírus precipitou de maneira dramática o risco externo, levando o mundo a uma recessão muito severa em 2020 e postergando o desenvolvimento da tese para ações brasileiras, embora a gestora considerasse que os demais argumentos permaneciam válidos.
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Recuperação brasileira
Antes do choque, a economia brasileira iniciava uma recuperação após a recessão entre 2013 e 2016, enquanto a economia global acumulava mais de dez anos de crescimento.
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Ociosidade e juros
A elevada ociosidade industrial e do mercado de trabalho reduziria as pressões inflacionárias em um horizonte visível e permitiria ao Banco Central praticar taxas de juros muito baixas.
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Empresas brasileiras
As companhias abertas que atravessaram a crise de 2013 a 2016 chegaram aos anos seguintes em melhor situação de eficiência, produtividade, margens e expectativa de retorno.
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Valuation das ações
Após as quedas, as empresas brasileiras estavam, em média, muito descontadas, em um cenário de valuation comparável ao de 2016 e 2017.
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Evento conjuntural
A gestora considerava o vírus um evento conjuntural, e não estrutural, mas entendia que a saída da crise e o aumento do endividamento governamental determinariam países vencedores e perdedores.
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Dispersão de retornos
A gestora esperava que, após a fase de pânico e baixa dispersão, empresas, países e ativos com melhores fundamentos passassem a apresentar desempenho distinto daqueles com fundamentos piores.
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As seis principais posições foram descritas como empresas defensivas ou antifrágeis, ou como ações que sofreram impacto desproporcional em relação à piora dos fundamentos.
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Tese de B3
A B3 foi considerada antifrágil porque o aumento da volatilidade e do pânico elevou significativamente os volumes negociados, sustentando a expectativa de crescimento de lucros em 2020.
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Tese de BB
A tese de Banco do Brasil combinava valuation baixo, transformação de governança, exposição relevante ao agronegócio e funding estável no varejo, apesar dos impactos de curto prazo da desaceleração econômica.
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Tese de Petrobras
A gestora esperava que uma recuperação do petróleo para US$ 45 a US$ 50 permitisse à Petrobras retornar a níveis normais de lucratividade e a um retorno sobre o patrimônio acima de 12% ao ano.
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Tese de Suzano
Suzano foi considerada antifrágil por ter 100% das receitas em dólar, menos de 30% dos custos dolarizados, demanda estável ou crescente por celulose e vantagem comparativa na produção brasileira de eucalipto.
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Tese de BRF
A tese de BRF se apoiava na liderança global em proteínas, na resiliência do setor, na expectativa de receitas e margens estáveis ou crescentes em 2020 e no benefício do câmbio desvalorizado.
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Tese de Rumo
Rumo Logística seria pouco impactada no curto prazo porque 70% de sua receita líquida vinha do transporte de produtos agrícolas, além de apresentar balanço sólido e ganhar participação do modal rodoviário no longo prazo.
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Suzano versus Vale
A gestora preferia Suzano a Vale porque considerava insustentável o consumo per capita de aço na China no médio e longo prazo e esperava recuperação da celulose a partir de níveis mínimos históricos.
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Turnaround da Light
A gestora via na Light um turnaround relevante, apoiado em nova gestão e no fim do controle estatal indireto, e considerava que o preço da ação embutia um cenário catastrófico desproporcional.
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Setor imobiliário
A gestora permanecia fora das incorporadoras por considerar o setor muito cíclico e competitivo, sem vantagens competitivas claras de longo prazo e com ciclo de recebimento de caixa de três a quatro anos.
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A crise elevou significativamente o risco de alguns negócios, e a gestora avaliava que algumas empresas poderiam não resistir a 2020 diante de quedas acentuadas do PIB e do faturamento.
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Alavancagem e custos
Interrupções superiores a 50% do faturamento seriam especialmente graves para empresas com elevada alavancagem financeira ou estruturas rígidas de custos.
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Desacoplagem brasileira
Permanecia o risco de o Brasil não conseguir manter sua recuperação de forma desacoplada da economia mundial, algo dependente de organização interna, negociação política, reformas estruturais e responsabilidade fiscal.
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Risco do BB
O Banco do Brasil enfrentaria aumento de inadimplência com a desaceleração econômica, além da preocupação de que seu balanço fosse utilizado no socorro a empresas.
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Risco da Petrobras
A Petrobras teria redução de lucro e aumento do endividamento no curto prazo por causa da queda do petróleo e do menor volume de derivados no segundo trimestre de 2020.
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Risco da B3
Se a crise se prolongasse, a B3 poderia ser afetada pela redução de novos IPOs e emissões.
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Risco da Light
A Light estava exposta ao aumento da inadimplência após a proibição de cortes de energia de clientes de baixa tensão, embora a gestora esperasse um pacote de apoio às distribuidoras.
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Prazo de recuperação
A recuperação das cotas dependia da chegada de vacina ou tratamento e da eficácia das medidas governamentais, podendo ocorrer até o final do ano ou levar até três anos.
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A gestora adaptou o portfólio aos impactos setoriais da crise, reduziu o caixa e concentrou a carteira em empresas que considerava de menor risco, alta convicção e elevado potencial de valorização.
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Posições zeradas
Foram zeradas as posições em Via Varejo, Lojas Renner, Guararapes e Azul devido à piora da relação entre risco e retorno diante da crise.
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Posições aumentadas
Os recursos das vendas foram usados para elevar B3 de 5,7% para 9%, Banco do Brasil de 5,5% para 8%, BRF de 4,1% para 6,1%, Rumo Logística de 3,6% para 5,7% e Suzano de 4,6% para 7%.
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Caixa do fundo
O caixa do Leblon Ações chegou a 14% em janeiro e foi reduzido para 11% por meio de alocações durante as quedas.
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Composição da carteira
A carteira do Leblon Ações era composta por 20 empresas, e as maiores posições eram B3, Banco do Brasil, Suzano, BRF, Petrobras e Rumo Logística.
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Seis principais ações
B3, Banco do Brasil, Suzano, BRF, Petrobras e Rumo representavam praticamente metade da parcela do fundo investida em renda variável.
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Fundos de previdência
A gestora indicou que a exposição a renda variável dos fundos de previdência tenderia a aumentar gradualmente nos dias e semanas seguintes.
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