A gestora descreve 2020 como um catalisador da digitalização, da venda direta ao consumidor e da consolidação de setores, além de apontar a crescente relevância do ESG. Avalia que os lucros das empresas brasileiras, excluídos bancos e commodities, permaneciam deprimidos após um longo período de baixo crescimento, enquanto cortes de custos e despesas criavam potencial de expansão de margens. Embora o preço/lucro da bolsa estivesse cerca de um desvio padrão acima da média dos últimos dez anos, considerava esse nível justificável pelas perspectivas de crescimento dos lucros e pelas taxas de juros. Para 2021, esperava crescimento do PIB entre 3% e 4% e inflação provavelmente acima do teto ao longo do ano, mas sem enxergar uma pressão inflacionária de longo prazo que levasse a uma alta significativa dos juros.
O Leblon Ações encerrou 2020 com 97% do patrimônio investido em ações, perto de suas máximas históricas, e tinha Natura, B3, Petrobras, Suzano e BRF como as cinco maiores posições. No quarto trimestre, o fundo participou dos IPOs de Rede D'Or, 3R Petroleum, Alphaville e Priner, além de aumentar Suzano, Santos Brasil e Hypera. Reduziu Rumo de 4,9% para 3,1%, para abrir espaço para outras compras, e zerou BR Malls e RLOG. As proteções prejudicaram o resultado do trimestre, mas, no momento do call, o fundo estava sem proteção. A gestora também preparava uma mudança no regulamento do Leblon Ações I para permitir futuros investimentos no exterior, inicialmente em empresas com negócios no Brasil.
A construção da carteira permanece orientada pelo longo prazo, pela análise bottom-up e pela diversificação temática, sem tentar antecipar rotações setoriais. Com taxa de desconto de 11% ao ano, a gestora estimava potencial de valorização da carteira da ordem de 30%; em cenários de taxas menores ou maiores, os resultados seriam significativamente mais positivos ou negativos. Em Natura, a tese combina a digitalização das consultoras com o turnaround da Avon; em BRF, apoia-se nas vantagens brasileiras na produção de proteínas e na possibilidade de expansão de margens. Para B3, a gestora vê crescimento estrutural do mercado de capitais; para Petrobras, desalavancagem, venda de ativos e investimentos de alto retorno no pré-sal. Em Suzano, espera oferta e demanda de celulose mais apertadas, geração relevante de caixa e melhora do retorno sobre o capital empregado.
O risco fiscal brasileiro é apontado como o risco mais evidente para as ações no curto e médio prazo, diante do aumento da dívida em relação ao PIB e dos déficits primários. A gestora ressalva que uma alta generalizada dos juros reais e de longo prazo reduziria naturalmente o valor dos ativos de risco. Na BRF, reconhece um desafio de execução relevante no plano de expansão e afirma que a administração ainda precisa provar sua capacidade de investir com rentabilidade nos volumes anunciados. Para Suzano, cita preço da celulose, forte apreciação do real e deterioração da economia chinesa; no setor bancário, destaca desemprego, renda, juros baixos, competição, regulação e risco tributário.
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A gestora vê a pandemia como catalisadora da digitalização, da migração do varejo físico para o online, da venda direta ao consumidor e de uma nova onda de consolidação empresarial, ao mesmo tempo em que o ESG ganha relevância nas decisões de investidores e empresas.
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Lucros das empresas
Os lucros das empresas brasileiras, excluídos bancos e commodities, estavam muito deprimidos, mas os ajustes de custos e despesas realizados nos últimos anos poderiam elevar as margens quando a economia retornasse a patamares anteriores.
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Valuation das ações
O preço/lucro das ações brasileiras estava cerca de um desvio padrão acima da média dos últimos dez anos, nível que a gestora considerava justificável pelas perspectivas de crescimento dos lucros e pelas taxas de juros.
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Prêmios de risco
Uma parte significativa do risco fiscal já estaria incorporada na curva de juros, no câmbio e nas taxas de desconto aplicadas às ações, deixando potencial de valorização em um cenário econômico mais benigno.
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Economia em 2021
A gestora esperava para 2021 crescimento do PIB entre 3% e 4% e inflação provavelmente acima do teto ao longo do ano, mas não via essa pressão inflacionária como duradoura a ponto de provocar alta significativa dos juros.
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Redução dos prêmios
A expectativa era de redução dos prêmios de risco ao longo de 2021.
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A gestora constrói uma carteira de longo prazo com análise bottom-up e diversificação temática, buscando taxa interna de retorno de pelo menos 15% ao ano sem tentar antecipar movimentos de rotação setorial.
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Assimetria da carteira
Com taxa de desconto de 11% ao ano, a gestora estimava potencial de valorização da carteira da ordem de 30%; com taxa de 8%, o potencial superaria 150%, enquanto taxas de 13% ou 14% implicariam potencial de desvalorização da ordem de 20%.
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Tese de Natura
A tese de Natura combina ganhos de produtividade pela digitalização das consultoras com o turnaround da Avon e as sinergias associadas, esperando convergência das margens operacionais para as dos pares globais.
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Tese de BRF
A tese de BRF se apoia nas vantagens competitivas e comparativas do Brasil na produção de frangos e suínos, no déficit de proteínas e na possibilidade de ganho de participação global e expansão de margens.
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Tese de B3
A gestora considera forte a posição competitiva da B3 como bolsa integrada e vê crescimento potencial com a expansão do mercado acionário, novos IPOs, maior participação dos investidores e diversificação das plataformas financeiras.
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Tese de Petrobras
A tese de Petrobras é de reestruturação, com venda de ativos de menor retorno, redução da dívida e alocação de capital no pré-sal, o que poderia elevar margens e lucros nos anos seguintes.
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Tese de Suzano
A visão positiva para Suzano se baseia no aumento estrutural do consumo de papéis sanitários e de papel na China, em uma oferta e demanda global apertada, na geração de caixa favorecida pelo câmbio e na melhora do retorno sobre o capital após as sinergias com a Fibria.
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Tese de Via Varejo
A gestora manteve Via Varejo como posição importante por considerar intacta a tese de recuperação de participação de mercado e por enxergar vantagens competitivas nas lojas usadas como hubs, nos vendedores, no braço financeiro e no desconto frente a concorrentes.
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Tese de Rede D'Or
A tese de Rede D'Or combina baixa participação em um mercado pulverizado, escala para crescimento orgânico e aquisições, especialização dos ativos hospitalares, demanda reprimida por saúde privada e ausência de risco atuarial no modelo analisado.
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Tese de Rumo
A tese de Rumo permaneceu intacta e se apoia na exposição ao agronegócio, em ganhos de competitividade frente a caminhões e Arco Norte e na entrega de capacidade após anos de expansão.
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Tese de Light
A gestora vê Light como um turnaround apoiado pela nova administração, pela redução de perdas e custos e pela diminuição do endividamento após a oferta anunciada.
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O risco fiscal brasileiro é considerado o risco mais evidente para o investimento em ações no curto e médio prazo, diante do aumento da dívida em relação ao PIB e dos déficits primários.
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Juros de longo prazo
Uma alta generalizada dos juros reais e de longo prazo no Brasil e no mundo reduziria naturalmente o valor dos ativos de risco e das ações.
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Execução da BRF
O plano de expansão da BRF envolve um desafio de execução relevante, e a administração ainda precisa provar que consegue investir com rentabilidade os valores anuais anunciados.
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Riscos de Suzano
Os principais riscos citados para Suzano são o preço da celulose, uma forte apreciação do real e uma deterioração da economia chinesa.
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Riscos dos bancos
Para os bancos, a gestora aponta cautela diante do desemprego e da renda após o fim do auxílio emergencial, dos juros baixos, da competição de novos entrantes, da regulação, do risco fiscal e de possíveis aumentos de impostos.
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Risco de Springs
A tese de Springs depende da execução do plano de comércio eletrônico e de maior visibilidade da ação, e a gestora reconhece um componente de risco maior.
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O Leblon Ações encerrou 2020 com 97% do patrimônio investido em ações, perto das máximas históricas, e tinha Natura, B3, Petrobras, Suzano e BRF como suas cinco maiores posições.
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Novas posições
No quarto trimestre, o fundo participou dos IPOs de Rede D'Or, com posição de 2%, 3R Petroleum, com pouco mais de 1%, Alphaville, com pouco menos de 1%, e Priner.
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Redimensionamento da carteira
A gestora aumentou Suzano, Santos Brasil e Hypera, reduziu Rumo de 4,9% para 3,1% para gerar caixa para outras compras e zerou BR Malls e RLOG.
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Proteções no fundo
As puts mantidas no quarto trimestre consumiram 0,8 ponto percentual da performance; no momento do call, o fundo estava sem proteção, embora a gestora continuasse atenta a oportunidades de comprar seguros baratos.
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Ativos estrangeiros
A gestora pretendia iniciar a exposição a ativos estrangeiros pelo Leblon Ações I e estava alterando o regulamento para permitir investimentos no exterior, inicialmente com foco em empresas que tivessem negócios no Brasil.
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